segunda-feira, 19 de outubro de 2026


memórias


ou ainda


, um adeus que nunca houve 


amontoado


empoeirado


fincado ao peito nu


feito coisa


feito nada


nada


segunda-feira, 4 de abril de 2022

 chuva.

ou melhor,

os sons e cheiros da chuva.

opero sonhos, em vão.

redesenho memórias

revisito paisagens

repouso minhas mãos sobre o peito

vazio.

eu, espantalho.

domingo, 6 de janeiro de 2019


por você 

meu amor sangra

desembainha a solidão

inventa outra vida

página após página

e acaba só

segunda-feira, 20 de novembro de 2017



amanhecia, menina

era você, conosco

pela vida que seguia

meus girassóis e teus olhos de mar


porque assim, menina

éramos nós, comigo 

pelos desatinos dos meus poentes

teu amor a me desaguar 

domingo, 30 de abril de 2017



                                                       le printemps (1883). odilon redon 


- as cantigas de ninar, por que não lembras mais?

- estrelas cadentes escapam ao tempo, não os sonhos

-  há brinquedos espalhados no quarto do meio. o carneiro de borracha o carrossel o forte-apache 

- não vês? tua mãe acena e logo estaremos todos juntos

- sob as pálpebras, desdigo horizontes.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017



(ao amigo marco alexandre)


porque distantes, amigo

pergunto se as canções que me habitam

são lugares onde sempre estivemos

ou memórias entardecidas

feito um carrossel vazio

lentamente a girar 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017


[ajoelha]

busca os últimos traços de memória

sob os azulejos portugueses 

tombados pela rigidez

da eternidade


(imagem de redon)